DIVINO ESPÍRITO SANTO DE DEUS!

Divino Espírito Santo de Deus, que derrama sobre todas as pessoas as graças de que merecemos, hoje e sempre nos acompanha nas trajetórias de nossas vida. Amém.

sábado, 8 de novembro de 2008

JOSÉ MACIEL ( FILHO DE BATURITÉ)



José Maciel

Mario Mendes Júnior(*)

Único filho homem, e caçula do comerciante Antônio Maciel e de dona Marcelina Bonates Maciel, esse baixinho, muito branco, olhos azuis cintilantes, tímido, introvertido, aparentemente mal humorado, dono de um campo consciente excessivamente amplo, nasceu a 17 de abril de 1896 em Baturité onde estudou as primeiras letras.

A primeira viagem a capital, em 1909, marca sua vida de intelectual: aos treze anos seu pai lhe matricula no terceiro ano primário do Instituto Borges, do professor Odorico Castelo. Em Fortaleza divide seu tempo, entre o semi-internato e a casa de sua prima Maria Maciel, filha de seu tio Manoel Felício, antigo coronel franco atirador da Campanha do Acre, seringalista, assassinado no Amazonas por questões políticas.

Somente um grande sentimentalista como José Maciel pode descrever um sentimento de um filho caçula longe da mãe e que por já ser quase homem feito não pode mostrar a fraqueza de chorar na frente dos primos, relembra, o momento o trecho da crônica de sua lavra:

“Maria morava com a mãe e o irmão, Manoel Felício Filho, no Bulevar Visconde do Rio Branco. Ali morei dois anos que alias marcaram minha primeira ausência da casa paterna, ausência povoada de lágrimas escondidas e aflitivas saudades, muito particularmente de minha mãe – o querubim daqueles inocentes dias.” (1)

José Maciel, com quinze anos voltou para Baturité, “muito compenetrado no papel de comerciante, tomando conta da loja do pai, na Rua do Comercio antiga”.(2) Daí em diante na terra natal foi figura de destaque em todos os movimentos sócio-culturais que fizeram época no Baturité dos anos 20 e 30.

A gratidão de José Maciel pelo professor Odorico Castelo Branco é conhecida pelos elogios ao mestre: “educador nato, homem de rara têmpora, culto, honesto, digno por todos os títulos”, de quem recebeu a instrução que o fez contador, professor de português e francês no Colégio das Irmãs, atividades asseguravam a boa vida que desfrutava, sem depender de ninguém, na sua cidade.

Para livrar a juventude da dependência dos salões das casas de famílias, José Maciel cunha a idéia de transferir os bailes, antes nas residências, para realizá-los Associação Comercial de Baturité, da qual foi seu eterno orador e secretário

Assim sendo, a Associação, passou a ser o palco dos grandes bailes da cidade inclusive das festas carnavalescas até então proibidas pelo manda chuva Ananias Arruda.

É de fazer chorar as saudades das festas de carnaval, em determinados momentos, os foliões, em cordão, a pular marchinhas, saiam do salão principal cimentado, para o assoalhado da sala vizinha, numa coreografia rústica em que aproveitavam o piso de madeira para tirar sons que obedeciam a cadencia da musica através do barulho dos passos.

À frente dos pensadores de seu tempo, na época em que ninguém pensava o turismo como atividade econômica, pioneiro, José Maciel, falava do potencial turístico de seu torrão.

Sem se limitar as potencialidades da Serra, defendidas em diversos artigos, José Maciel, sendo um admirador incondicional da Pedra Aguda, na sua crônica publicada no “O Jornal”, em 17/10/58, assim se referia ao rochedo:

“(...) penhasco colossal, monumento ciclópico isolado em meio à planície (...) a pureza atmosférica emprestava ao penedo um azul magnífico’’.

E acrescentava, num recado para as autoridades:

“Amanhã talvez uma estrada bem cuidada comece a levar visitantes ao pé do monólito formidável , para experimentar uma emoção daquela grandiosidade que impõem-nos à alma assustada com fascínio irresistível das coisas eternas.” (...) “E depois quem sabe? Baturité começará a ser um centro de atração turística”.

Na década de trinta José Maciel se muda para Fortaleza onde monta seu escritório de contabilidade na Rua do Rosário, sendo o primeiro contador da cidade a dominar a contabilidade como ciência.

Sendo o principal e maior conhecedor da família Maciel, além da obra inédita “Um Episódio Memorável”, sobre os parentes, tem inúmeras crônicas publicadas no seu “Minhas Idéias” e outras muitas a publicar que se fora a sua pena já teriam sido esquecidas na caligem do tempo.

Eclético, José Maciel não se deixava levar por modismo e ideologias importadas da época: fascismo, nazismo ou comunismo. Seu pensamento mantinha distância do nacionalismo, às vezes cretino, dos brocardos como “minério de ferro é nosso” e “o petróleo e nosso”. A riqueza mineral do presente, se permanecer debaixo da terra, corre o perigo de ser substituída por sucedâneos. Antes disso deve ser explorada, mesmo pelo capital de estrangeiros.

Outro assunto que o preocupava, era o enigma da segurança, maior quebra-cabeça da contemporaneidade, veja texto de uma crônica:

“De cada vez que a maré montante do crime perturba a tranqüilidade laboriosa dos que se afadigam na labuta cotidiana, cresce na alma do povo uma dúvida silenciosa quanto ao que possam ainda fazer as autoridades responsáveis pela segurança pessoal dos cidadãos, ameaçada no sertão como na capital, na rua, como dentro do próprio lar.” Ao mencionar seu pensamento sobre a pena de morte, outro mito atual, assim se pronunciava: “na verdade é doloroso que se condene um homem à morte. Mas (é aqui que surge o dilema) para onde mandará a justiça o homem frio, insensível e cruel, que martiriza um anjo inocentíssimo, uma pobre criança de apenas quatro anos de idade?”.

José Maciel assinou por muitos anos no jornal “A Verdade” uma coluna de reminiscências intituladas “O Velho Torrão”. No “O Jornal” de Fortaleza que desenvolveu em 1958 um trabalho intitulado “Tipos Populares de Baturité” onde imortalizou as figuras estranhas do seu Asa, da Boneca do Cão, do Seu Chiquinho, do Come Unha, do João Cururu, do Jorge Sinésio, do José Costa, do Manoel Elias, da Pinca Júlia.
Maciel justifica o apego pelos tipos notórios no axioma de sua larva:

“Na paisagem de uma sociedade humana, o tipo popular é como um colorido forte que anima o conjunto”.

Na década de 60 transferiu-se para o Rio de janeiro, onde, também viveu da contabilidade, mas sem nunca abandonar a atividade literária.

Homem de letras, historiador, jornalista, continuou colaborando com os jornais de fortaleza , e principalmente com semanário de nossa terra "A verdade" assinando as colunas "De longe".

Sua esposa, e prima legitima era dona Felícia Mendes Maciel, LICINHA, filha do major Pedro Mendes Machado e dona Maria Maciel Mendes Machado, portanto cunhado do Mário Mendes.

José Maciel era irmão de dona Maroca, parteira que acompanhou milhares de partos na década de 1940, mãe do Arivaldo Maciel e José Alci de Paiva.

As outras duas irmãs de José Maciel eram Dona Idália e Neném, ambas as professoras em Baturité e depois em Fortaleza.

José Maciel morreu no Rio de Janeiro em 1980, deixando os seguintes filhos:

José Ephebo Mendes Maciel
Tânia Mendes Maciel
Atila Mendes Maciel
Pedro Alan Mendes Maciel Pedro Alan Mendes Maciel, advogado, residente no Rio de Janeiro, legado de seu pai, hoje o dono do acervo documental do estudo "complicadíssimo", da família Maciel.
Antonio Wilson Mendes Maciel

(*) Bacharel em Direito e Empresário. ( De responsabilidade do autor)